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domingo, 12 de fevereiro de 2012

eisFluências de Junho de 2011




Há um Gosto Amargo nas Flores
Ariovaldo Cavarzan

“Escrever prosa e poesia é como deixar marcas de passagem, através das trilhas da vida. Importa, vez ou outra, parar para respirar fundo, dar um tempo e admirar o quanto foi deixado à retaguarda, haurindo ali forças e esperanças para a continuidade da jornada.”  A.C.

Em meus tempos de menino, na ânsia de desvendar o mundo,deslumbrei-me ante o perfume e a formosura das flores que enfeitavam vasos, canteiros e jardins de minha casa, tentando identificar-lhes o perfume e o gosto, aprendendo a apreciá-las em sua diversidade de cores, fragrâncias e beleza.
Os sabores eram quase iguais, diferenciados apenas por um toque que ia do amargo puro ao agridoce, com maior ou menor intensidade, embora seus cheiros as tornassem inconfundíveis.
Mas, o olfato, o paladar e a mente de menino, acabaram guardando mais que as simples nuanças perceptíveis aos sentidos.
Aprenderam que as variáveis amargas dos sumos que se esparramavam pelo interior da boca, mostravam-se a mais inesquecível de todas as descobertas.
 Gravaram a verdadeira identidade de cada espécie.
Eram rosas, margaridas, lírios, malmequeres, dálias, girassóis, cravos, violetas, bocas de leão, copos de leite, açucenas, primaveras e flores do campo.
Algumas floresciam em hastes de espinhos, outras se esparramavam no chão, como se fossem tapetes.
A cada nova surpresa, minha mente de menino guardava uma valiosa lição, cujos significados verdadeiros passo a entender agora, em plena fase madura, transportando-os para minha vida cotidiana.
Não devemos nos encantar apenas com as aparências de flores e pessoas.
Importa sentir-lhes o cheiro; conhecer-lhes o sabor; descobrir-lhes a identidade mais íntima; conviver com elas, para entender que, embora algumas se apresentem presas a hastes de espinhos, 
também podem mostrar-se formosas e perfumadas. 
E há ainda aquelas outras que se espalham no chão,  como se fossem tapetes, sem perder a dignidade e a formosura.
Mas todas guardam dentro de si seus verdadeiros cheiros e sabores, nem sempre doces, nem sempre perfumados,com variáveis nuanças mais ou menos amargas, tão somente à espera de um novo despertar da curiosidade de um menino, com muita vontade de desvendar mistérios e peculiaridades escondidas.
O tempo se encarregará de revelar cada conformação, cada haste em que se assenta  uma pessoa, ou uma flor, espinhadas ou não, ou a terra fofa e generosa que lhes prendem os pés.  
Exibirá, por fim,  suas particularidades interiores, suas cores,seus sabores, sua beleza, seu perfume, seus humores, sua espiritualidade e seus valores.
 Enfim, sua capacidade de encantar, embevecer, aceitar, compreender, renunciar, perdoar, acolher, pacificar, esperar, sonhar e amar...

Ariovaldo Cavarzan, Itapira – S.P/Brasil

1 comentário:

virgínia além mar vicamf disse...

adorei parabéns, abraço agradecido
virgínia fulber NHamburgo RS BR