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sábado, 29 de dezembro de 2012

Dezembro de 2012



FÉ – GRAÇA OU CONQUISTA?
Humberto Rodrigues Neto

Ao contrário do que afirmam nossos irmãos de outras crenças, também cristãs, ninguém nasce com a fé, e não acredito seja ela uma graça especial de Deus concedida apenas àqueles que a mereçam.
A fé constrói-se na certeza do que nos é ensinado racionalmente, e jamais adquirida na crença em dogmas de difícil assimilação quando submetidos ao crivo do bom senso.
Construímo-la a cada dia, pedacinho a pedacinho, ante a racionalidade do que nos ensinam os bons espíritos e em face das provas irrefutáveis que a todo instante nos chegam através das mensagens que nos comunicam.
É por isso que a nossa fé é firme e não admite dubiedade ou incerteza naquilo em que realmente acreditamos.
Enquanto a doutrinação dos demais irmãos cristãos é ministrada horizontalmente, do centro para os lados, ao rés do chão, a nossa se irradia verticalmente, de cima para baixo.
Vamos tentar explicar melhor como se processa a mecânica de tais procedimentos.
Nas demais ideologias fundamentadas no Cristianismo, um homem lê as escrituras, interpreta-as a seu modo e as transmite a vários outros homens, os quais, por sua vez, as retransmitem a um grupo de outros seres, e assim sucessivamente, sempre horizontalmente, ao nível do solo.
Falível que é o ser humano, a cada transmissão de uns para os seguintes, jamais estarão livres de acrescentar conceitos pessoais e particulares àquilo que recebem, havendo, portanto, a probabilidade sempre presente de adulterações das verdades constantes dos textos originais naquilo que dizem.
A nossa filosofia, porém, nasce e vem diretamente do alto, através da voz direta dos enviados de Deus, os bons espíritos, e caem verticalmente sobre nós, imunes a interferências e livres de quaisquer erros de interpretação, já que adrede submetidos ao criterioso exame de confrades assaz experientes nessas lides.

A fé dos outros é imposta. A nossa é aceita. Eis a grande diferença.

Temos fé, não pela necessidade de sermos agradáveis a Deus, mas por estarmos convictos da verdade existente naquilo em que acreditamos.

Humberto Rodrigues Neto
S.Paulo/Brasil 

domingo, 17 de junho de 2012

eisFluências junho de 2012


(Clique na revista para aceder ao texto completo)


NAÇÃO CRIOULA E A TEORIA DE BAKHTIN
RESENHA
Por Isabel C.S. Vargas 


Nação Crioula de autoria de José Eduardo Agualusa, autor nascido em Angola com amplo conhecimento daquela realidade e profundo interesse pela realidade brasileira, mostra o romance que ocorreu no século XIX entre Fradique Mendes, um aventureiro português e Ana Olímpia Vaz de Caminha, uma figura capaz de enriquecer qualquer narrativa pela vida cheia de situações diferentes e antagônicas, pois embora nascida escrava foi uma das mulheres mais ricas e poderosas daquela região africana de cultura portuguesa, ou seja, Angola.
É importante ressaltar que Fradique Mendes é um personagem de Eça de Queirós que Agualuza tomou por empréstimo para personagem central de seu romance incluindo na sua narrativa o próprio Eça de Queirós. Misturam-se personagens e pessoas reais.
A história se desenrola entre 1868 a 1900 e é contada através das cartas trocadas por Fradique Mendes e sua madrinha, Madame Jouarre, entre ele e Ana Olímpia e com Eça de Queirós.
Nas cartas relata seu trânsito entre personagens ricos, pobres, do clero, malfeitores, passando por situações inusitadas desde sua chegada em Angola, sua, às vezes, turbulenta permanência, o encontro casual com Ana Olímpia, por quem de imediato nutre um sentimento especial e todo o suspense – poderia dizer drama – que envolve sua amada até poder libertá-la para com ela viver.
Fradique não tem um trabalho, vive da mesada que sua madrinha lhe envia, mesmo assim tem uma vida de regalias em Angola. As cartas narram os episódios ocorridos em Angola de 1868 a 1876. Posteriormente, viaja para Pernambuco naquele que talvez fosse o último navio negreiro da época, o NAÇÃO CRIOULA, para fugir de seus perseguidores e de Ana Olímpia, pois suas vidas corriam perigo.
A partir daí suas missivas são de Olinda para onde se transferem, a princípio, para casa de amigos e, mais tarde, para uma propriedade que adquire na Bahia onde passa a viver de forma abastada reproduzindo a vida de muitos senhores com quem tivera contato em suas andanças, com escravos e bens. Lá tem uma filha, mas não permanece no Brasil. Posteriormente, vai para a França, onde morre.
Ana Olímpia e a filha Sophia fazem o caminho de volta para África.
O romance termina com uma carta de Ana Olímpia a Eça de Queirós onde ela relata a sua história.